Vícios e virtudes subiram mais que a inflação

Preços dos vícios e virtudes subiram mais que a inflação dos últimos três anos

 

05/09/2011 - 15h25

Economia
 

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Produtos e serviços ligados aos vícios e às virtudes dos brasileiros ultrapassaram a inflação acumulada dos últimos três anos, com base no Índice de Preços ao Consumidor calculado com base nos preços coletados entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência, chamado IPC-10.

De acordo com pesquisa divulgada hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), os produtos e serviços associados aos vícios ficaram 30,96% mais caros entre setembro de 2008 e agosto de 2011, superando em quase duas vezes a inflação acumulada no período, de 16,07%. Os preços vinculados às virtudes do consumidor também ficaram acima da inflação, com alta de 18,73%.

O economista André Braz, da FGV, disse à Agência Brasil que o ponto central da pesquisa foi mostrar que alguns tipos de investimento dão retorno ao cidadão, enquanto outros ampliam as despesas. “Quando você investe, por exemplo, em uma atividade que aumenta as suas chances de conseguir um bom emprego ou que melhora a sua cultura, uma parte desse gasto, embora acima da inflação, volta para você como um benefício”

Braz acrescentou que, quando o consumidor investe em coisas que não dão benefício e, ao contrário, implicam, eventualmente, gastos futuros maiores com saúde, por exemplo, o investimento se transforma em um mau negócio. “Porque quem gasta com vícios, eventualmente vai gastar mais com saúde também, no médio prazo, para tratar problemas provocados pelo uso de substâncias que não fazem bem ao corpo”.

Exemplificou que quem compra um livro ou entra em um curso está pagando mais caro em termos reais por esse tipo de investimento, mas terá retorno mais à frente. “Quanto mais cultura se tem, maior a possibilidade de arrumar um emprego que compense o investimento”.

Já quem gasta com coisas que não fazem bem à saúde, como bebidas alcoólicas, por exemplo, não terá retorno desse gasto. “A pesquisa visa a chamar a atenção e reforçar a questão das escolhas. Todo mundo é livre para empregar o dinheiro onde quiser mas, é claro, tem como investir e gastar esse dinheiro a ponto de ele trazer algum retorno positivo para a vida”, disse André Braz.

A pesquisa mostra que fumo, bebidas alcoólicas e loterias, incluídos entre os vícios habituais dos brasileiros, subiram nos últimos três anos 40,19%; 19,53% e 15,49%, respectivamente.

Entre os produtos e serviços ligados às virtudes, os vilões foram as academias de ginástica, com aumento de 24,75%. As escolas e cursos complementares mostraram reajuste de 20,84%, enquanto cinema, teatro e shows subiram 17,75%. Livros, jornais e revistas tiveram variação de 10,77%.


Edição: Vinicius Doria
Agência Brasil

Notícias

Imóvel não pode ser alienado sem intimação pessoal do devedor

segunda-feira, 16 de março de 2026 Imóvel não pode ser alienado sem intimação pessoal do devedor Um imóvel não poder ser leiloado para penhorar uma dívida sem que haja a intimação pessoal do devedor. Com esse entendimento, a juíza Iolete Maria Fialho de Oliveira, da 22ª Vara Federal Cível da Seção...

STJ admite recibo como justo título na usucapião; entenda o requisito

Propriedade STJ admite recibo como justo título na usucapião; entenda o requisito Tema envolve interpretação do art. 1.242 do Código Civil e requisitos da usucapião ordinária. Da Redação terça-feira, 17 de março de 2026 Atualizado às 09:28 Na última semana, a 3ª turma do STJ reconheceu recibo de...

Juíza reconhece domínio de imóvel por usucapião após 40 anos de posse

Posse pacífica Juíza reconhece domínio de imóvel por usucapião após 40 anos de posse Magistrada concluiu que autor comprovou posse contínua, pacífica e com ânimo de dono desde 1982. Da Redação quarta-feira, 11 de março de 2026 Atualizado às 16:01 A juíza de Direito Sara Fontes Carvalho de Araujo,...

STJ preserva testamento sem filha mesmo após paternidade reconhecida

Herança STJ preserva testamento sem filha mesmo após paternidade reconhecida Relatora entendeu que não há rompimento de testamento quando o autor mantém suas disposições mesmo ciente de ação de paternidade. 4ª turma entendeu que não há rompimento quando testador manteve disposição patrimonial mesmo...